Direita e capitalismo
O poder capitalista conseguiu sobreviver à explosão esquerdista do final do séc. XIX e princípios do séc. XX mediante, sobretudo, um “contra ataque” ideológico sustentado no poder do controlo de massas (aprendido e desenvolvido com as experiências fascistas), coadjuvado com a caída do modelo socialista nos países de leste.
Os meios de comunicação de massas converteram-se na principal ferramenta do sistema, na medida em que lhes permite controlar a forma de pensar das pessoas. Nunca, em toda a história do sistema, este possuiu tantos meios para controlar o pensamento global. Assim se impôs o pensamento único. O sistema capitalista conseguiu enganar massivamente o povo, (fazendo-o acreditar que tem o poder) através de democracias “controladas”, onde não tem medo de lhe perguntar o que pensa porque, previamente, se encarregou de fazer com que o povo pense o que ele quer.
O capitalismo conseguiu criar na maioria dos cidadãos a falsa ideia de que vive em democracia e liberdade, que a esquerda forma parte do sistema, de que existe pluralidade, quando na realidade a democracia é verdadeiramente escassa, onde a liberdade continua sendo uma utopia e a esquerda transformadora (cujo objectivo básico é transformar as sociedades para melhoria das condições de vida da maioria das pessoas), a verdadeira esquerda, tende a desaparecer do mapa político.
Por suposto, para além do controlo dos meios de comunicação, que se converteram em autênticos “fazedores” de opinião, e que usam para fomentar o bipartidarismo, o sistema tem os seus próprios “mecanismos legais de defesa” para que as chamadas democracias representativas não permitam o acesso ao poder de forças políticas “perigosas”. A famosa lei eleitoral que pretendem implementar é disso exemplo. Elaborada para fomentar o bipartidarismo e relegar à marginalidade as forças políticas “non-gratas”, um sistema de financiamento que faça depender os partidos, por um lado do poder económico e por outro do Estado, de tal maneira que se um partido não chegar a ter representação nas instituições, não é financiado pelo Estado e que só podem chegar a essas instituições os partidos que tenham promoção suficiente, ou seja aqueles que recebam o financiamento suficiente por parte do poder económico (pescadinha de rabo na boca) proibindo na prática (ainda que nunca em teoria) o acesso às instituições a partidos não controlados pelo poder económico.
Ainda assim, nalguns países, quando tais “mecanismos” não impedem a chegada ao poder político de uma força que vá contra o poder económico, o “capitalismo internacional” encarregar-se-á de colocar a lenha na fogueira, para acossar e desprestigiar o governo desses países, através de campanhas mediáticas internacionais (a guerra mediática ou terrorismo mediático), inclusivamente através de operações de destabilização interna.
O capitalismo aprendeu a lição com a história recente e sabe que não pode permitir-se o luxo de deixar que a esquerda triunfe onde quer que seja, num mundo cada vez mais globalizado como o nosso.
Nesta lavagem cerebral que o capitalismo tem feito nas últimas décadas, procurou-se fomentar aquelas características do ser humano que interessam ao sistema (egoísmo, individualidade, passividade, submissão, conformismo, pensamento de grupo ou “mansidão intelectual”, estupidez, cobardia, comodismo…) e reduzir ou eliminar o mais possível, aquelas características do ser humano que não interessam (altruísmo, solidariedade, activismo, rebeldia, pensamento crítico e livre, inteligência, curiosidade, independência, inquietude, optimismo, valentia…). Em certa medida conseguiram impor a hegemonia cultural do capitalismo. O sistema conseguiu colocar a maioria da população endividada (portanto subjugada), dificultando-lhe (ainda que não impedindo por completo) o acesso a certas necessidades básicas como a habitação e criando-lhe necessidades artificias mediante o consumismo ilimitado.
Os meios de comunicação de massas converteram-se na principal ferramenta do sistema, na medida em que lhes permite controlar a forma de pensar das pessoas. Nunca, em toda a história do sistema, este possuiu tantos meios para controlar o pensamento global. Assim se impôs o pensamento único. O sistema capitalista conseguiu enganar massivamente o povo, (fazendo-o acreditar que tem o poder) através de democracias “controladas”, onde não tem medo de lhe perguntar o que pensa porque, previamente, se encarregou de fazer com que o povo pense o que ele quer.
O capitalismo conseguiu criar na maioria dos cidadãos a falsa ideia de que vive em democracia e liberdade, que a esquerda forma parte do sistema, de que existe pluralidade, quando na realidade a democracia é verdadeiramente escassa, onde a liberdade continua sendo uma utopia e a esquerda transformadora (cujo objectivo básico é transformar as sociedades para melhoria das condições de vida da maioria das pessoas), a verdadeira esquerda, tende a desaparecer do mapa político.
Por suposto, para além do controlo dos meios de comunicação, que se converteram em autênticos “fazedores” de opinião, e que usam para fomentar o bipartidarismo, o sistema tem os seus próprios “mecanismos legais de defesa” para que as chamadas democracias representativas não permitam o acesso ao poder de forças políticas “perigosas”. A famosa lei eleitoral que pretendem implementar é disso exemplo. Elaborada para fomentar o bipartidarismo e relegar à marginalidade as forças políticas “non-gratas”, um sistema de financiamento que faça depender os partidos, por um lado do poder económico e por outro do Estado, de tal maneira que se um partido não chegar a ter representação nas instituições, não é financiado pelo Estado e que só podem chegar a essas instituições os partidos que tenham promoção suficiente, ou seja aqueles que recebam o financiamento suficiente por parte do poder económico (pescadinha de rabo na boca) proibindo na prática (ainda que nunca em teoria) o acesso às instituições a partidos não controlados pelo poder económico.
Ainda assim, nalguns países, quando tais “mecanismos” não impedem a chegada ao poder político de uma força que vá contra o poder económico, o “capitalismo internacional” encarregar-se-á de colocar a lenha na fogueira, para acossar e desprestigiar o governo desses países, através de campanhas mediáticas internacionais (a guerra mediática ou terrorismo mediático), inclusivamente através de operações de destabilização interna.
O capitalismo aprendeu a lição com a história recente e sabe que não pode permitir-se o luxo de deixar que a esquerda triunfe onde quer que seja, num mundo cada vez mais globalizado como o nosso.
Nesta lavagem cerebral que o capitalismo tem feito nas últimas décadas, procurou-se fomentar aquelas características do ser humano que interessam ao sistema (egoísmo, individualidade, passividade, submissão, conformismo, pensamento de grupo ou “mansidão intelectual”, estupidez, cobardia, comodismo…) e reduzir ou eliminar o mais possível, aquelas características do ser humano que não interessam (altruísmo, solidariedade, activismo, rebeldia, pensamento crítico e livre, inteligência, curiosidade, independência, inquietude, optimismo, valentia…). Em certa medida conseguiram impor a hegemonia cultural do capitalismo. O sistema conseguiu colocar a maioria da população endividada (portanto subjugada), dificultando-lhe (ainda que não impedindo por completo) o acesso a certas necessidades básicas como a habitação e criando-lhe necessidades artificias mediante o consumismo ilimitado.
Os desafios da esquerda
Cada vez mais temos de tomar consciência da importância da esquerda no mundo actual em que vivemos. É imprescindível que a sociedade se consciencialize desse facto, de forma a conseguir desviar a rota do planeta por um outro caminho mais justo, mais igual e mais livre para todos. A nossa civilização corre perigo não só pelas alterações climáticas, mas também devido aos grandes desequilíbrios socio-económicos. Um mundo com tantas desigualdades crescentes é cada vez mais instável e a instabilidade implica perigo de existência. Se é certo que a sociedade actual ocidental (o terceiro mundo merece uma menção à parte) já não padece das graves desigualdades do princípio do séc. XX, também é certo que a maior parte das causas que deram origem às revoluções nessa época, continuam vigentes. Continuam a existir grandes desigualdades sociais, mas o mais preocupante é que, de uma época com tendência à diminuição dessas desigualdades (por iniciativa da esquerda), passámos a uma época em que, pelo contrário, as desigualdades tendem a aumentar (por iniciativa da direita). A este facto temos de acrescentar o retrocesso nos direitos laborais (fundamentalmente), o esvaziamento da saúde no plano social e o crescente desemprego. A esquerda é imprescindível para, em primeiro lugar, manter as conquistas sociais que tanto custaram a conquistar, e em segundo lugar, para conseguir todos aqueles objectivos justos e legítimos que não se puderam alcançar. A esquerda defende uns ideais que beneficiam a maioria da humanidade em detrimento de uma minoria que, em qualquer caso perderiam os seus privilégios mas, uns privilégios injustos.
Pelo atrás exposto, é fácil deduzir que a esquerda tem pela frente uma árdua tarefa a nível nacional e internacional. São muitos os desafios que tem de enfrentar. Prioritariamente, deve centrar-se na conquista das liberdades de imprensa e de expressão. Deve lutar para que os meios de comunicação não estejam monopolizados pelo poder económico e sejam livres de qualquer manipulação. Enquanto estas não existirem verdadeiramente, os princípios ideológicos da esquerda nunca poderão chegar à maioria da população. A esquerda deve tentar, por todos os meios possíveis e com inteligência, imaginação, originalidade e insistência, fazer-se ouvir. Deve remar contra a maré mais do que nunca, ser mais activa do que nunca em todas as frentes, aproveitando as possibilidades das novas tecnologias da informação como a Internet (participando em todos os fóruns possíveis, inclusivamente nos dos meios de comunicação oficial) sem nunca descuidar as “velhas formas de activismo”.
Porque o Mundo é de todos e não só de alguns!




5 Comments:
Olá Magnólia
Bom post boa definição do mal que enferma a humanidade, minha não concordância vai apenas para a os caminhos de actuação que apontas para a esquerda; é que os caminhos que apontas são os que têm sido seguidos pela esquerda!
Correndo o risco de ser chamado de séctário para mim só existe uma esquerda! Aquela que o capital não tolera, e que combate ferozmente por todos os meios como tu muito bem dizes anteriormente, agora a esquerda com quem nós nos identificamos tem feito tudo o que é humanamente possível para combater, este estado de coisas, penso que como eu tens essa convicção!
Desculpa ter focado este assunto, que não retira valor au teu raciocinio global.
bjos
José Manangão: Compreendo o teu ponto de vista e as tuas preocupações. O meu post pretendia ser uma reflexão mais global, a nível do mundo em que vivemos.
É tempo de alterar a frase que nós costumamos dizer muito (Isto assim não pode ser!) para "Isto não tem que ser assim! E não tem mesmo. Existe uma alternativa para Portugal e os comunistas têm provas dadas com o seu trabalho e a sua honestidade de que estão em condições de fazer parte dessa alternativa.
"Este caminho não é uma inevitabilidade. É possível inverter esta situação. É possível outra política com medidas de fundo. Exigem-se mudanças que rompam com as políticas de direita que estão a empurrar o País para o fundo, acentuando todas as suas fragilidades.
É perante a falência de uma política que não resolve os problemas do País e dos portugueses e que é a causa do nosso crescente atraso, que nós afirmamos a necessidade e urgência da construção de um caminho novo alternativo. O PCP propõe uma ruptura com esta política de desastre e apela a todas as forças políticas e sociais, aos democratas preocupados com o rumo do seu País, para que façamos uma convergência no sentido de exigir uma política alternativa virada para o crescimento económico, para a defesa do nosso aparelho produtivo e da nossa produção nacional, para a valorização do trabalho, dos direitos, dos salários, para a defesa dos serviços públicos, na saúde, na educação, no desenvolvimento científico e técnico, na afirmação de um Portugal soberano onde sejam os portugueses a decidir do seu futuro colectivo.
Na construção dessa política alternativa que dê lugar a uma alternativa política de esquerda, torna-se mais necessário o reforço do PCP. Reforço político, orgânico, social e eleitoral. De um Partido com valores, com uma política de verdade, com um projecto de justiça social e de progresso, força real na oposição nesta política de direita, que não limita a sua intervenção e acção em vésperas de eleições, antes no tempo todo que for preciso, em todos os dias, onde existir uma causa justa, um problema concreto, uma aspiração concreta, lá estarão os comunistas à procura de uma vida melhor." Jerónimo de Sousa na Festa da Alegria, em Braga
OBVIAMENTE NAS MARÉS
CONTRA A MARÉ
Gostei muito de seu texto e o estou usando como leitura de apoio (para os alunos) em minhas aulas de Filosofia e Sociologia (é um texto com muitos aspectos a serem explorados nas duas disciplinas - relações de poder, relações de trabalho, globalização, mito e liberdade em nossos dias, etc.). Espero que não se importe...
A propósito: Há já um bom tempo, li por aqui um texto que contava a história de um lavrador a quem o patrão explorava cada vez mais, fazendo-o trabalhar sempre mais a cada dia. O conto termina com uma frase assim: "Tivesse eu chifres, pendurava-me lanternas para que trabalhasse também à noite" (ou algo parecido). Não o encontrei mais...
Magnólia, vim parar a esta praia pelo mar em que navegamos ambos, assim considero apesar de divergências conceptuais que detecto. E gostaria de lhe manifestar a minha discordância em relação à questão central que levanta: a imposição de um pensamento único. Sei que essa é a tendência de todos os poderes, mas há-de reconhecer que tal denúncia destoa no contexto de uma argumentação tão dogmática acerca do sistema socialista. É que não se conhece em toda a história do movimento comunista uma atitude menos unicitária do pensamento.
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